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“Se você tocar essa música maravilhosa, ela volta!”
Quando alguém diz “filme musical” logo se imagina pessoas dançando com coreografias ensaiadas e canções chatinhas. Apenas um vez (Once -2006) é a quebra dessa imagem. Sem dúvida que se trata de um musical, mas quando for assistí-lo você encontrará mais do que música, são personagens que, unidos por seus próprios medos, se fazem de pontes um do outro para alcançar a felicidade que desejam, mesmo sem saber ao certo onde ela está. E atenção, apesar de minha frase soar melodramática, no filme isso tudo acontece sem que ele seja o típico sentimentalóide.
Apenas uma vez é o encontro de um músico que divide seu tempo entre cantar nas ruas de Dublin e ajudar o pai em uma loja de consertos e uma jovem vendedora de flores imigrante que cuida com muita dificuldade de sua filha. O que permite o encontro dos dois, e a futura parceria na música, será um aspirador de pó estragado... uma bela metáfora sobre os aborrecimentos do dia a dia que são “aspirados” e ficam escondidos ... natural que um dia o aspirador estrague!
As personagens não tem nome e esse detalhe pode passar totalmente desapercebido sem fazer a menor falta, o filme reforça o amadurecimento dos dois que, após alcançarem descanso em suas próprias canções, vão de encontro com seu passado dispostos a mudar seu futuro.
Esse processo lento e ligeiramente doloroso tomará forma nas canções que surgem, não de maneira inesperada como na maioria dos musicais, mas como o resultado de um acúmulo tão grande de sentimento que de repente parece não caber dentro deles... e escapa meio sem querer em forma de música. Apenas um vez é uma história de amor sem romance, um melodrama sem lágrimas, um encontro que as personagens precisam ter para perceberem o que realmente importa.
O filme gera em nós o mesmo sentimento de um daqueles raros dias em que saímos de casa sem grande pretensões e, de repente, por alguma cena de que foi testemunha ou um pensamento oportunuo, se percebe que nosso mundo foi totalmente mudado, sem que isso gere em nós externamente uma grande revolução. Apenas uma vez é um filme humilde. A começar pela simplicidade de recursos, foram gastos apenas US$150.000, provando que não é necessário efeitos visuais e ação sem fim para fazer um filme envolvente. Apenas uma vez também ganhou o Oscar de melhor canção original. Confira o trailer legendado clicando aqui , embora já vou logo avisando que o trailer dá a entender um romance que não existe no filme. E para quem ficou mais interessado na música clique aqui para ouvi-la.
E não se preocupe, você vai querer assistir Apenas uma vez mais de uma vez! Eu já vi várias... e... nesse exato momento de deu vontade de assistir novamente.
"E já não basta ter uma vida longa e feliz ao meu lado?"
Desde que comecei a me interessar por cinema na faculdade mantenho uma mania quase compulsiva de sempre tentar achar algo interessante e digno de reflexão em qualquer filme que assisto não importando se é de arte, uma animação ou um romance água com açúcar. O problema é que às vezes eu me desafio a assistir filmes fraquinhos até o fim na esperança de que algo me chame a atenção... mas geralmente acabo sem conseguir cumprir minha tarefa. Têm filmes que simplesmente só se destacam pela inconsistência não importa o quão grande seja minha teimosia na busca por algo consistente.
O que acho interessante é que esse tipo de filme se justifica a cada minuto nos dá uma época no tempo, apresenta um lugar, um conflito, um romance... tudo como manda o figurino de Hollywood, são aparentemente completos mas, na verdade, são ocos. Tudo faz sentido, nada faz sentido e tudo isso ao mesmo tempo!
No final só posso pensar que é a velha história... há muitas formas de se mostrar um romance: pode-se apelar para um amor quase doentio como em Amor sem fim (1981), um romance sutil e sensível como Amor a flor da pele (2001), um romance sem romance como Apenas uma vez (2006) ou ainda o amor como um sonho bom em Brilho eterno de uma mente sem lembranças (2003). Têm ainda produções, e tenho que falar porque apesar dos pesares foi esse filme que me fez pensar isso tudo, como Crepúsculo (2008).
Claro que quando assistimos a um filme nos moldes clássicos compramos aquela história e fazemos um pacto silencioso de naquele momento acreditar em tudo. Quando a gente “entra na brincadeira” de um filme temos que estar preparados e dispostos a “engolir” o que vier. Então quando me propus a assisti-lo já sabia o que esperar: vampiros adolescentes!
O problema é que chega uma hora que mesmo acreditando no jogo de faz de conta o filme fica tão... mas tão previsível e meio sem nada a acrescentar que não dá para engolir! Não li a trilogia da Stephanie Meyer... talvez sejam bons livros... mas devo dizer que os filmes... bom... os filmes deixam no espectador a impressão do “eu já vi essa história antes” e é provável que já tenha visto mesmo: as paixões obsessivas, impossíveis e sem motivo. A menina que se apaixona (a primeira vista) pelo “jovem” vampiro de 109 anos (que depois desse tempo todo continua com a mentalidade de 17) e depois vai se dividir com o amor do menino lobisomem é intragável. No final eu simplesmente não tinha absolutamente nada novo para falar sobre esses filmes... tudo já foi dito. Eles se encaixam tão bens nos padrões de cinema de estrutura clássica já conhecidos que não há o que acrescentar.
Sei que o grande público desses filmes são crianças e adolescentes... que adoram fantasias e romances com final feliz, mas mesmo assim eu me pego pensando: que tipo de espectador o cinema de Hollywood forma? Talvez eu simplesmente espere mais do cinema comercial do que ele pode oferecer.
O resultado é esse público juvenil que cresce ouvindo contos de fadas modernos e acreditando em amores fáceis... querendo encontrar fora das telas o que se passa nela! Sonhando com a existência de mocinhos (melhor ainda se forem vampiros vegetarianos) de 17 anos que devem ser Romeus para as coitadinhas das Julietas que lotam as salas de cinema!
P.S.: Não é que os tais filmes de vampiro deram pano para manga?! Vai ver que no final das contas todo filme pode ser desdobrado e tem algo a dizer... mesmo os que não dizem nada ou dizem a mesma coisa que você ouviu inúmeras vezes antes!