
Desde que comecei a me interessar por cinema na faculdade mantenho uma mania quase compulsiva de sempre tentar achar algo interessante e digno de reflexão em qualquer filme que assisto não importando se é de arte, uma animação ou um romance água com açúcar. O problema é que às vezes eu me desafio a assistir filmes fraquinhos até o fim na esperança de que algo me chame a atenção... mas geralmente acabo sem conseguir cumprir minha tarefa. Têm filmes que simplesmente só se destacam pela inconsistência não importa o quão grande seja minha teimosia na busca por algo consistente.
O que acho interessante é que esse tipo de filme se justifica a cada minuto nos dá uma época no tempo, apresenta um lugar, um conflito, um romance... tudo como manda o figurino de Hollywood, são aparentemente completos mas, na verdade, são ocos. Tudo faz sentido, nada faz sentido e tudo isso ao mesmo tempo!
No final só posso pensar que é a velha história... há muitas formas de se mostrar um romance: pode-se apelar para um amor quase doentio como em Amor sem fim (1981), um romance sutil e sensível como Amor a flor da pele (2001), um romance sem romance como Apenas uma vez (2006) ou ainda o amor como um sonho bom em Brilho eterno de uma mente sem lembranças (2003). Têm ainda produções, e tenho que falar porque apesar dos pesares foi esse filme que me fez pensar isso tudo, como Crepúsculo (2008).

Claro que quando assistimos a um filme nos moldes clássicos compramos aquela história e fazemos um pacto silencioso de naquele momento acreditar em tudo. Quando a gente “entra na brincadeira” de um filme temos que estar preparados e dispostos a “engolir” o que vier. Então quando me propus a assisti-lo já sabia o que esperar: vampiros adolescentes!
O problema é que chega uma hora que mesmo acreditando no jogo de faz de conta o filme fica tão... mas tão previsível e meio sem nada a acrescentar que não dá para engolir! Não li a trilogia da Stephanie Meyer... talvez sejam bons livros... mas devo dizer que os filmes... bom... os filmes deixam no espectador a impressão do “eu já vi essa história antes” e é provável que já tenha visto mesmo: as paixões obsessivas, impossíveis e sem motivo. A menina que se apaixona (a primeira vista) pelo “jovem” vampiro de 109 anos (que depois desse tempo todo continua com a mentalidade de 17) e depois vai se dividir com o amor do menino lobisomem é intragável. No final eu simplesmente não tinha absolutamente nada novo para falar sobre esses filmes... tudo já foi dito. Eles se encaixam tão bens nos padrões de cinema de estrutura clássica já conhecidos que não há o que acrescentar.
Sei que o grande público desses filmes são crianças e adolescentes... que adoram fantasias e romances com final feliz, mas mesmo assim eu me pego pensando: que tipo de espectador o cinema de Hollywood forma? Talvez eu simplesmente espere mais do cinema comercial do que ele pode oferecer.
O resultado é esse público juvenil que cresce ouvindo contos de fadas modernos e acreditando em amores fáceis... querendo encontrar fora das telas o que se passa nela! Sonhando com a existência de mocinhos (melhor ainda se forem vampiros vegetarianos) de 17 anos que devem ser Romeus para as coitadinhas das Julietas que lotam as salas de cinema!
P.S.: Não é que os tais filmes de vampiro deram pano para manga?! Vai ver que no final das contas todo filme pode ser desdobrado e tem algo a dizer... mesmo os que não dizem nada ou dizem a mesma coisa que você ouviu inúmeras vezes antes!
