“ – Como você consegue falar sem cérebro?
– Não sei. Mas há muitas pessoas sem cérebro que são faladeiras.”
Filmes clássicos anteriores a 1960 são muito especiais. Eles me fazem sentir saudade de uma época que eu não vivi... e confesso que demorei muito tempo para conseguir chegar a essa conclusão. Para matar essa saudade alguns dias atrás assisti O mágico de Oz (1939). As velhas e repetitivas mensagens de que “tudo vai dar certo no final” e que “tudo o que você precisa está dentro de você” se tornaram clichês há séculos, mas convenhamos que é muito bom voltar a ouvir essas liçõezinhas de moral infantis de um mundo mais simples.Nesse filme Judy Garland interpreta a jovem e pura Dorothy que, após um tornado, é levada para a “Terra de Oz” onde, além de querer voltar para casa, ela se tornará amiga de um espantalho que quer um cérebro, um homem de lata que busca um coração, e um leão, que sonha ter coragem. Os quatro partem em busca do Mágico que Oz, que na verdade não passa de um “deus” farsante, para que seus pedidos sejam atendidos.

Nesse mundo encantado o filme é colorido e representa a transformação de Dorothy em adolescente lhe mostrando a necessidade de que a ingenuidade não atrapalhe a existência da sagacidade, representada pelos sapatos vermelhos tomados da bruxa malvada, e normas sociais, representadas na regra de “sempre andar na estrada dos tijolos amarelos”.
O mágico de Oz é cheio de musicazinhas infantis e o reforço da ideia de que se deve confiar em si mesmo e que toda a inteligência, as emoções e a força para viver está conosco todo o tempo, mesmo sem nos darmos conta disso. Claro que no mundo real as coisas são bem diferentes... mas...
Para os adeptos de tecnologia já vou logo avisando que o filme é (também) ingênuo para os padrões de hoje. Ele foi inteiramentemente gravado em estúdio com direito a flores de plástico e tudo. Mas mesmo assim vale a pena pelo menos para quem quer conhecer a versão original da famosa canção Somewhere over the rainbow.

Obviamente que essas ingênuas concepções de filme não são modelo de cinema de alta qualidade. Há o constante reforço de uma sociedade cheia de moralidade, regras, culpa e punições.. bla bla bla. Mas mesmo sabendo das suas fragilidades é possível mergulhar nesse mundo mágico. São filmes que nos afagam e reconfortam, ideais para se assistir quando a vida começa a pesar demais…
Quem gosta desse tipo de filme para descansar da realidade (puxa essa afirmação ficou estranha...) sugiro também A fantástica fábrica de chocolate (Willy Wonka and the Chocolate Factory). Mas se for assistir veja a versão de 1971 que é muito melhor do que a recente com o Johnny Deep.

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