quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A ironia com quem insiste em ser romântico


“Ele é uma mosca morta, mas uma mosca morta adorável!”


Woody Allen é ácido. Muito mesmo. Por isso o odeio e o amo. Ele é capaz de fazer uma ironia tão trabalhada que os mais ingênuos podem entender justamente o contrário do que ele quis dizer. Um exemplo disto é o seu filme Todos dizem eu te amo (1996). O título serviRIA perfeitamente para um musical bem água com açúcar, e é exatamente isso que Woody Allen faz... com direito a danças bem ensaiadas e personagens desabafando suas amarguras em canções. SeRIA uma linda história de amor se não fosse Woody Allen com sua capacidade de transformar tudo em uma piadinha social ou familiar.

Nesse filme ele escolhe um família rica de Nova Iorque, o seu cenário favorito, com 5 filhos e um ex marido que de tão neurótico fica até simpático e que aparece de tempos em tempos. O filme irá se desenvolver baseando-se em conflitos que são expostos de maneira tão exagerada que pensaRÍAMOS “que pessoas bobas!” se não fosse pela identificação que vira e mexe aparece em nós. Tipos caricaturados como a jovenzinha romântica, o bobo apaixonado, a mãe dedicada e a adolescente que se apaixona facilmente tecem a trama. Confuso seria explicar os embates que existem nesses personagens... só assistindo para entender... e olha lá!

Não sei se por meu olhar estar tão acostumado a presença de Woody Allen como ator em seus filmes que quando ele aparece é impossível não sorrir e ficar curioso com o que virá. Woody Allen rouba a cena não importa em qual filme e em qual personagem. As neuroses humanas são apresentadas, especialmente nas personagens que ele interpreta, tão de perto que facilmente provocarão risos em quem assiste, mas é aquela risada nervosa da identificação com o ridículo.
Woody Allen nos deixa entrar no filme, mas não o suficiente para nos perdermos de nós mesmos, como a grande maioria dos filmes faz, mas para permitir que este envolvimento provoque um incômodo bom de sentir sobre nossa própria vida.

A culpa é transformada em caridade, o amor eterno dura 5 longos dias, a busca pelo amor vira obsessão e a felicidade... bom... no final ela não precisa chegar tão rápido.
Todos dizem eu te amo é ironia do começo ao fim. Altamente recomendado para quem tem estômago para a possibilidade de se ver bem de perto e conseguir rir disso tudo.

2 comentários:

  1. Olá Caroline,

    que bom!! Um blog é um bom exercício para colocarmos as idéias em equilibrio - com a ajuda dos outros inclusive.

    Um grande abraço,
    Lisandro

    ResponderExcluir
  2. Obrigada pela visita professor!
    Volte sempre!

    ResponderExcluir